quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Ai, palavras, ai, palavras



(...) que estranha potência, a vossa! (Cecília Meirelles)


De destruição ou de construção, o fato é que as palavras têm um estranho poder. Muitas vezes um olhar, um gesto diz mais que mil palavras; ocorre também que uma palavra pode aniquilar mil gestos ou olhares. Quantos de nós já nos pegamos lamentando uma palavra errada! Ai, palavra, amaldiçoo o momento em que te pronunciei - melhor, que te escrevi. Seria uma palavra capaz de arruinar um laço entre duas pessoas? Enlaçarei minhas mãos e, mesmo sem ter a quem pedir, pedirei; implorarei, rezarei a um Deus que não sei se existe, para que eu possa, de alguma maneira, mudar o que causei com uma simples palavra. E se esse Deus não me atender, ou não puder me atender, entenderei o significado das palavras, finalmente. E passarei a medir minhas palavras de forma absurdamente rigorosa; passarei a pensar infinitas vezes antes de dizer algo - talvez seja melhor nem dizê-lo. Se Deus existe ou não, não me importa realmente no momento. Se o meu pedido não se realizar, terei perdido a pessoa mais importante do mundo - do meu mundo, pelo menos. E isso seria o suficiente para tornar ateu o crente mais fervoroso.

3 comentários:

Thássila Deorce. disse...

nossa. babei no teu post de hoje. meeesmo. :)

Ela disse...

Palavras são como eu
Metade encanto, metade maldição
Parabéns pelos seus amargos encantos ^^

Thássila Deorce. disse...

amiga, voltei.