sexta-feira, 27 de março de 2009

Do paraíso encontrado



Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.


Livro dos Conselhos


A primeira vez que peguei num livro dele, foi há aproximadamente 3 anos. Depois de esperar séculos na fila da Biblioteca Universitária, meu irmão finalmente conseguiu acesso à tão procurada obra. Em cima do móvel de madeira, o livro esperava por ser lido. Já ouvira falar tanto sobre ele, que o abri com certo receio. Histórias de terapia e dificuldade para enxergar após sua leitura perpassaram minha mente enquanto eu lia, sem fôlego, aos primeiros parágrafos. O ritmo incessante me arrastava e meu coração saltou quando li a primeira fala, Estou cego. Demorei mais de um ano até ter acesso ao livro novamente, mas quando o tive em minhas mãos, devorei-o. Foi como um paraíso distorcido. Confortável, aprazível, ele não era. O gostoso era ver a boa literatura, só isso. Não importava a angústia, o nervosismo e a revolta ao fim de cada capítulo; só importava o fato de ter em minhas mãos um exemplar da perfeição. Alguns outros vieram depois, e então conheci um homem à procura de um barco, uma península que rachava, a greve da morte, um Jesus diferente. Mas os cegos nunca me deixaram, nem creio que um dia o farão. O senhor mudou a minha vida, Sr. Saramago, e eu lhe agradeço por isso.

Um comentário:

Pan disse...

Muito bom quando encontramos um livor que nos faça ter tal sentimento!
Adorei o blog, dê uma passada no meu :D
Beijão!